Porque é que a abordagem atual ao absentismo laboral fica aquém
O absentismo laboral e o presentismo laboral tornaram-se dois dos principais desafios para as organizações. No entanto, grande parte do discurso atual continua a apontar numa única direção: a empresa como principal responsável.
Para quem trabalha em:
- PRL (Prevenção de Riscos Laborais)
- Vigilância da saúde
- HSE
- Saúde e bem-estar corporativo
- People & Culture
- …
esta abordagem é limitada. E, em muitos casos, pouco útil para reduzir o absentismo e o presentismo de forma eficaz.
A realidade é mais complexa — e compreendê-la bem é fundamental para agir melhor.
No nosso caso, esta visão não é teórica. Na openhealth by opensalud trabalhamos com grandes empresas na Europa e na América Latina, acompanhando a saúde de mais de 120.000 colaboradores. Esta experiência permite-nos observar diretamente como evoluem o absentismo laboral e o presentismo em diferentes contextos, setores e países.
O que as empresas já estão a fazer para reduzir o absentismo
Nos últimos anos, a saúde laboral na empresa evoluiu significativamente.
Hoje, muitas organizações já estão a agir de forma clara para reduzir o absentismo e melhorar o bem-estar:
Programas de bem-estar laboral mais completos
Foram alargados para incluir:
- Saúde mental
- Bem-estar emocional
- Melhoria de hábitos
- Nutrição ou exercício físico, entre outros
Reforço da vigilância da saúde
Com uma abordagem mais preventiva e não apenas reativa.
Formação em liderança saudável
Os gestores começam a ter um papel fundamental na:
- Deteção de riscos psicossociais
- Gestão da equipa a partir do bem-estar
Integração na estratégia de negócio
O absentismo laboral já é analisado em conjunto com:
- Produtividade
- Compromisso
- Resultados
Este avanço é real. Mas não está a ser suficiente por si só.
Causas do absentismo laboral: um problema multifatorial
Para compreender como reduzir o absentismo e melhorar o presentismo, é necessário assumir que não depende apenas da empresa.
Existem múltiplos fatores externos que estão a influenciar:
Fatores do mercado laboral
- Baixo nível de desemprego
- Mudanças na relação com o trabalho
Fatores de saúde e demografia
- Envelhecimento da população ativa
- Aumento de doenças crónicas
- Saturação dos sistemas de saúde
Saúde mental e contexto social
- Aumento do mal-estar emocional
- Menor resiliência em determinados segmentos populacionais
Fatores regulatórios
- Maior complexidade normativa
- Aumento da carga em PRL e saúde
Este contexto explica por que, mesmo fazendo mais, muitas empresas não conseguem reduzir o absentismo ou melhorar o presentismo.
Presentismo laboral: o problema invisível
O presentismo laboral continua a ser um dos grandes desafios ocultos.
Pessoas que comparecem ao trabalho, mas:
- Com baixo desempenho
- Com problemas de saúde não abordados
- Com desmotivação ou fadiga
O impacto é direto na:
- Produtividade
- Qualidade do trabalho
- Clima laboral
E, ao contrário do absentismo, é muito mais difícil de medir e gerir.
O novo papel do PRL, HSE e vigilância da saúde
O papel das equipas de saúde mudou.
Hoje não se trata apenas de cumprir, mas de influenciar o comportamento e a cultura organizacional.
Isto implica trabalhar em:
Prevenção psicossocial
Identificar e atuar antes de o problema surgir.
Estratégia de bem-estar
Conceber programas alinhados com objetivos reais.
Análise de dados
Cruzar informação sobre:
- Absentismo laboral
- Vigilância da saúde
- Utilização dos programas
Influência na liderança
Acompanhar os gestores na gestão do bem-estar da equipa.
O fator que faz a diferença: comunicação interna e chefias intermédias
Um dos grandes pontos cegos em muitas estratégias para reduzir o absentismo laboral não está na conceção… mas na execução.
E aqui há dois elementos críticos:
Comunicação interna eficaz
Muitas organizações têm bons programas de bem-estar que:
- Não são compreendidos
- Não são lembrados
- Não são percecionados como relevantes
Sem uma comunicação clara, segmentada e contínua:
📉 a utilização cai
📉 o impacto desaparece
A comunicação não é um apoio.
É parte do próprio programa de saúde.
Ativação real das chefias intermédias
O gestor (chefes de turno, responsáveis de loja…) é o ponto de contacto mais direto com o colaborador.
E, na prática, é quem determina se uma estratégia funciona ou não.
Porque é quem:
- Deteta mudanças de comportamento
- Marca o clima da equipa
- Legitima (ou não) a utilização dos programas
- Influencia a perceção do bem-estar
Contudo, muitas organizações:
- Dão-lhes responsabilidade
- Mas não ferramentas nem acompanhamento
Ativar as chefias intermédias implica:
- Formação prática (não apenas teórica)
- Mensagens claras sobre o seu papel
- Integração na estratégia de saúde
- Medição do seu impacto
Quando isto não acontece, mesmo as melhores iniciativas perdem eficácia.
O erro mais comum: assumir que tudo depende da empresa
Um dos principais erros ao abordar o absentismo laboral é pensar que:
Mais investimento = menos absentismo
Mas a realidade demonstra que nem sempre é assim.
O facto de uma empresa implementar programas de bem-estar laboral:
- É positivo
- Gera impacto
- Pode melhorar indicadores
Mas não significa que controle o resultado final.
Quando isto não é tido em conta:
- Geram-se expectativas irrealistas
- Concebem-se estratégias pouco eficazes
Como reduzir o absentismo laboral: uma mudança de abordagem
A mudança mais relevante não está em fazer mais, mas em fazer melhor.
❌ Abordagem tradicional
A empresa “cuida” do colaborador
→ baixo envolvimento
→ impacto limitado
✅ Abordagem atual
A empresa ativa as pessoas na sua própria saúde
Isto implica:
Conceber programas que gerem ação
Não basta oferecer recursos, é preciso conseguir utilização real e, para isso, é necessário conceber programas de amplo espectro e não limitar-se (por exemplo) à saúde emocional.
Segmentar por perfis de risco
Nem todos os colaboradores precisam do mesmo.
Medir o impacto em indicadores-chave
- Absentismo
- Participação
- Evolução da saúde
Integrar a saúde na cultura
Não como iniciativa isolada, mas como parte do dia a dia.
Ativar comunicação e liderança
Porque sem:
- comunicação eficaz
- envolvimento das chefias intermédias
não há adoção real.
Uma responsabilidade partilhada: a chave para avançar
O absentismo laboral e o presentismo não são um problema exclusivo da empresa.
São o resultado de:
- Fatores organizacionais
- Fatores sociais
- Fatores individuais
Por isso, as soluções eficazes passam por uma abordagem partilhada:
✔ A empresa facilita
✔ O PRL e a saúde lideram com critério
✔ Os gestores ativam
✔ As pessoas envolvem-se
Como estamos a abordar isto na opensalud
Na opensalud trabalhamos com organizações que procuram ir além do modelo tradicional de bem-estar, acompanhando atualmente mais de 120.000 colaboradores em grandes empresas na Europa e na América Latina.
Esta experiência permitiu-nos identificar um padrão claro: as iniciativas que realmente reduzem o absentismo laboral não são as que mais fazem, mas as que melhor ativam as pessoas e a organização.
A nossa abordagem baseia-se em:
- Ativar as pessoas, não apenas oferecer serviços, para o que é necessário que os programas sejam integrais e inclusivos.
- Integrar saúde, comportamento e dados
- Envolver as chefias intermédias como alavanca fundamental
- Conceber estratégias de comunicação que geram utilização real
Porque reduzir o absentismo laboral não é sobre fazer mais ações, mas sobre conseguir que as pessoas participem verdadeiramente.